quarta-feira, 23 de setembro de 2026

CALOSIDADES: O QUE A LOCALIZAÇÃO PODE REVELAR SOBRE O APOIO DO PÉ?


A localização de uma calosidade não deve ser observada apenas como um problema da pele. Ela pode fornecer pistas importantes sobre onde o pé está a receber maior pressão e sobrecarga durante o apoio e a marcha.
Dois padrões que merecem atenção são o pé supinado e o pé pronado.
PÉ SUPINADO
No pé supinado, existe uma tendência para uma maior concentração das cargas na região lateral do pé e uma menor capacidade de adaptação do pé ao solo.
As calosidades podem aparecer com maior frequência em áreas como:
• borda lateral do pé, especialmente na região do 5.º metatarso;
• cabeça do 5.º metatarso, na região plantar;
• região lateral do calcanhar;
• dedo mínimo e outros dedos, dependendo da posição dos dedos e do calçado;
• determinadas zonas do antepé submetidas a maior pressão.
Nestes casos, é importante observar se existe uma transferência excessiva da carga para o lado externo do pé.
PÉ PRONADO
No pé pronado, ocorre uma maior tendência para a distribuição das cargas em direção à região medial do pé, embora o padrão real possa variar bastante de pessoa para pessoa.
As áreas que podem apresentar maior sobrecarga e desenvolver calosidades incluem:
• região medial do calcanhar;
• primeiro metatarso e sua região plantar;
• hálux, especialmente quando existe alteração associada na sua posição;
• região medial do antepé;
• outras áreas submetidas a pressão e atrito durante a marcha.
Quando existe pronação associada a determinadas alterações estruturais ou funcionais, a distribuição da pressão pode tornar-se ainda mais irregular.
MAS ATENÇÃO: A CALOSIDADE NÃO "DIAGNOSTICA" O TIPO DE PÉ
Encontrar uma calosidade numa determinada região não significa, por si só, que o cliente tenha um pé supinado ou pronado.
A calosidade deve ser analisada em conjunto com:
• a estrutura do pé;
• o arco plantar;
• a posição do retropé;
• a posição dos dedos;
• o tipo de apoio;
• a marcha;
• o calçado utilizado;
• deformidades existentes;
• e a localização e intensidade das zonas de pressão.
Por isso, duas pessoas podem apresentar uma calosidade na mesma região e possuir causas completamente diferentes.
O MAIS IMPORTANTE PARA O PROFISSIONAL
Não devemos perguntar apenas:
"Onde está o calo?"
Devemos perguntar:
"Por que razão esta região está a receber tanta pressão?"
Essa mudança de olhar é fundamental.
A remoção da hiperqueratose pode melhorar o conforto e a aparência do pé, mas, se a causa mecânica da sobrecarga permanecer, a calosidade poderá voltar a formar-se.
Observar a localização da calosidade, relacioná-la com o padrão de apoio e procurar possíveis fatores associados permite compreender muito melhor o pé que estamos a tratar.
A calosidade pode ser o sinal. A sobrecarga pode ser a causa.
Sara Lima

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