segunda-feira, 12 de outubro de 2026

Estamos a tratar pessoas ou estamos apenas a executar protocolos?

 


A ESTÉTICA ESTÁ MAIS TECNOLÓGICA, MAS SERÁ QUE OS PROFISSIONAIS ESTÃO MAIS PREPARADOS? O ERRO QUE PODE ESTAR A COMPROMETER OS SEUS RESULTADOS

Mais aparelhos, mais protocolos, mais promessas. Mas por que razão tantos profissionais continuam sem conseguir os resultados que desejam nos tratamentos corporais?

Por Sara Lima, profissional de estética e formadora há mais de 30 anos.

Ao longo de mais de três décadas dedicadas à estética, avaliei e acompanhei um número incontável de clientes em tratamentos corporais. Cada pessoa trouxe consigo uma história, características próprias, diferentes respostas aos tratamentos e desafios que exigiam observação, conhecimento, adaptação e persistência.

Foi precisamente essa experiência que me ensinou uma das lições mais importantes da minha profissão: não existem dois clientes exatamente iguais, por isso não podemos esperar que um protocolo padronizado produza os mesmos resultados em todas as pessoas.

E é aqui que começa uma reflexão que considero urgente para os profissionais de estética.

Antigamente, tínhamos menos aparelhos. Hoje, temos mais tecnologia. E os resultados?

Quando comecei a trabalhar na área, a realidade era muito diferente da que conhecemos atualmente. Não existia a infinidade de equipamentos disponíveis no mercado, nem a velocidade com que surgem novas tecnologias, novas marcas e novas promessas de resultados.

Grande parte do trabalho era realizado manualmente. Precisávamos de conhecer os tecidos, observar as alterações corporais, desenvolver a sensibilidade das mãos e compreender como adaptar cada intervenção às características da pessoa que tínhamos à nossa frente.

Não era necessariamente mais fácil. Pelo contrário, exigia esforço físico, experiência, capacidade de observação e um profundo conhecimento das técnicas utilizadas.

Hoje, a tecnologia oferece-nos ferramentas extraordinárias. Os equipamentos podem complementar o trabalho manual, facilitar determinados procedimentos, reduzir o esforço físico e ampliar as possibilidades de intervenção.

Não sou contra a tecnologia. Seria absurdo ignorar os avanços que a estética conquistou.

O problema começa quando o equipamento deixa de ser uma ferramenta nas mãos do profissional e passa a ser o próprio profissional a depender exclusivamente dele.

A corrida aos aparelhos está a substituir o conhecimento?

Basta observar o mercado para perceber a velocidade com que surgem novos equipamentos. Muitas vezes, encontramos aparelhos com funções semelhantes, apresentados com nomes diferentes, acompanhados de campanhas que prometem resultados cada vez mais impressionantes.

O profissional compra um equipamento, aprende um protocolo, aplica-o durante determinado número de sessões e espera que o resultado corresponda à promessa comercial.

Quando isso não acontece, o que faz?

Procura outro aparelho. Compra uma nova tecnologia. Aprende um novo protocolo.

Mas será que o problema estava realmente na falta de equipamento?

E se o verdadeiro problema estiver na avaliação inicial, na escolha inadequada do tratamento, na ausência de acompanhamento ou em fatores individuais que nunca foram devidamente investigados?

Um equipamento não consegue compensar todas as lacunas de conhecimento de quem o utiliza.

Comprar tecnologia não é o mesmo que adquirir competência profissional.

Um bom profissional não se distingue pela quantidade de aparelhos que possui, mas pela capacidade de compreender quando, porquê e em que condições deve utilizar cada recurso.

Dez ou doze sessões chegam para toda a gente?

Muitos tratamentos corporais são comercializados em pacotes de dez a doze sessões. Este formato pode ser útil para organizar um plano de acompanhamento, mas não deve ser confundido com uma garantia universal de resultados.

Ao longo da minha experiência, aprendi que a resposta aos tratamentos depende de múltiplos fatores: características individuais, condição dos tecidos, objetivos definidos, hábitos de vida, possíveis condições de saúde, adesão às recomendações e adequação das técnicas escolhidas.

Há pessoas que apresentam uma evolução satisfatória dentro do período inicialmente previsto. Outras necessitam de uma abordagem diferente, de mais tempo ou de uma reavaliação completa do plano.

E existem situações em que o tratamento inicialmente escolhido não é o mais indicado.

É precisamente por isso que defendo a avaliação contínua. Não podemos transformar um número de sessões numa fórmula universal e esperar que todos os organismos respondam da mesma maneira.

O protocolo deve servir o cliente. O cliente não deve ser obrigado a encaixar no protocolo.

O tratamento começa antes de ligar o aparelho

Este é, na minha opinião, um dos aspetos mais negligenciados na estética contemporânea.

A atenção concentra-se frequentemente no procedimento: qual o aparelho a utilizar, que intensidade selecionar, quantas sessões realizar e que produto aplicar.

Entretanto, ficam para trás perguntas fundamentais.

Quando começou a alteração corporal que trouxe o cliente à consulta? Foi gradual ou repentina? Que mudanças ocorreram na sua vida nesse período? Existem medicamentos, condições de saúde, alterações hormonais diagnosticadas ou outros fatores que possam influenciar a situação? Que tratamentos já realizou? Como respondeu a eles?

Estas perguntas não servem para transformar o esteticista num médico. Servem para compreender melhor o contexto do cliente, reconhecer os limites da intervenção estética e identificar quando é necessário encaminhamento para outro profissional de saúde.

Uma boa anamnese não é um formulário preenchido por obrigação. É uma ferramenta de raciocínio profissional.

E não deve ser substituída por uma conversa apressada antes de iniciar o procedimento.

Se não sabemos o que estamos a tratar, como podemos justificar a escolha do tratamento?

Água, alimentação e estilo de vida: recomendações não devem ser receitas universais

Outro problema é a repetição automática de recomendações que parecem servir para toda a gente.

Beber dois ou três litros de água por dia. Fazer três refeições. Eliminar determinados alimentos. Caminhar mais. Reduzir calorias.

Estas orientações podem fazer sentido em determinados contextos, mas não devem ser apresentadas como regras absolutas, desligadas das necessidades individuais e da história de saúde de cada pessoa.

As necessidades de hidratação variam, por exemplo, com a atividade física, o clima, a alimentação e as condições de saúde. Algumas pessoas necessitam de restrições de líquidos por indicação médica.

Da mesma forma, não cabe ao profissional de estética prescrever dietas terapêuticas ou impor restrições alimentares sem a formação e a habilitação necessárias. O seu papel é reconhecer os fatores relevantes para o tratamento, orientar dentro dos limites da sua competência e encaminhar o cliente para um nutricionista ou outro profissional habilitado quando necessário.

O mesmo raciocínio aplica-se às alterações de peso.

Se uma pessoa refere que começou a ganhar peso após determinado acontecimento, essa informação merece ser ouvida. Medicamentos, sono, alterações de rotina, fatores psicológicos e determinadas condições de saúde podem influenciar o peso corporal.

As alterações hormonais são uma possibilidade entre várias, não uma explicação automática para todos os casos. A sua investigação e interpretação clínica pertencem aos profissionais de saúde habilitados.

Não precisamos de diagnosticar para reconhecer que pode existir um problema que ultrapassa a nossa área de atuação.

Precisamos, sim, de saber fazer as perguntas certas e reconhecer quando devemos encaminhar.

A avaliação de saúde não pode ser substituída pela intuição

Há outro ponto que merece atenção: os limites da avaliação realizada pelo profissional de estética.

A medição da tensão arterial, a determinação da glicemia e a avaliação do colesterol não são procedimentos obrigatórios para todos os tratamentos estéticos, nem devem ser realizados indiscriminadamente por todos os profissionais. A sua pertinência depende do contexto, da formação, da competência legal e dos protocolos de segurança aplicáveis.

Contudo, é essencial saber reconhecer fatores de risco, recolher a informação relevante sobre o historial de saúde e identificar situações em que o tratamento deve ser adiado ou precedido de avaliação clínica.

Também é indispensável conhecer as contraindicações, as precauções e os riscos específicos de cada equipamento e procedimento.

Não basta saber ligar uma máquina e selecionar um programa.

É necessário compreender as instruções do fabricante, os limites de utilização, as situações em que o procedimento não deve ser realizado e os sinais que exigem a interrupção do tratamento.

E, quando existe uma suspeita que não podemos esclarecer dentro da nossa competência, encaminhar o cliente não representa uma derrota profissional. Representa responsabilidade.

A segurança deve estar sempre acima da venda de um pacote de sessões.

A anamnese não é tempo perdido. É parte do tratamento.

Compreendo que o mercado seja competitivo e que muitos profissionais sintam pressão para atender mais clientes, rentabilizar o tempo e apresentar resultados rapidamente.

Compreendo também que uma primeira consulta extensa, sobretudo quando não é remunerada, possa parecer pouco rentável.

Mas existe uma diferença enorme entre perder tempo e investir tempo na avaliação.

Uma anamnese bem conduzida ajuda a identificar objetivos realistas, compreender antecedentes relevantes, reconhecer possíveis contraindicações, selecionar abordagens adequadas e estabelecer critérios para avaliar a evolução.

Também permite explicar ao cliente o que pode esperar, o que não pode ser prometido e por que razão determinado procedimento pode não ser indicado.

Naturalmente, a avaliação não garante resultados nem elimina todos os riscos. Contudo, reduz a dependência de decisões tomadas por rotina e contribui para uma prática mais fundamentada.

O profissional que não investiga o suficiente pode acabar por repetir procedimentos sem compreender por que razão o cliente não responde como esperado.

E, nesse momento, a solução não é necessariamente acrescentar mais sessões ou comprar outro equipamento.

Pode ser necessário parar, reavaliar e mudar de estratégia.

O que distingue uma profissional que executa protocolos de uma profissional que sabe tratar?

A diferença não está apenas na experiência acumulada, nem na quantidade de cursos realizados.

Está na capacidade de integrar conhecimento, observação, raciocínio, técnica e responsabilidade.

Uma profissional competente sabe que:

  • Um protocolo é um ponto de partida, não uma garantia de resultado.

  • Um equipamento é uma ferramenta, não uma solução universal.

  • Uma alteração corporal deve ser compreendida no seu contexto individual.

  • A avaliação deve acompanhar o tratamento, permitindo verificar se a estratégia continua adequada.

  • As contraindicações e os limites de atuação devem ser conhecidos antes de iniciar qualquer procedimento.

  • Existem situações que exigem o encaminhamento para médicos, nutricionistas ou outros profissionais de saúde.

  • Nem todos os clientes são candidatos ao mesmo tratamento, mesmo quando apresentam uma queixa aparentemente semelhante.

É esta capacidade de pensar que permite evoluir profissionalmente.

E é também uma das razões pelas quais tantas profissionais procuram formação adicional sem conseguirem ultrapassar determinadas dificuldades: aprender mais técnicas é importante, mas aprender a avaliar, interpretar e tomar decisões fundamentadas é igualmente essencial.

A minha mensagem aos profissionais de estética

Depois de mais de 30 anos nesta área, continuo a acreditar na evolução da estética, na formação contínua e no valor da tecnologia.

Mas acredito, acima de tudo, que não podemos permitir que a facilidade de execução substitua a capacidade de raciocínio.

Não precisamos de rejeitar os aparelhos. Precisamos de saber utilizá-los com conhecimento.

Não precisamos de abandonar os protocolos. Precisamos de compreender as suas indicações e limitações.

Não precisamos de transformar a estética numa prática médica. Precisamos de respeitar os limites da nossa profissão e trabalhar de forma responsável com os profissionais de saúde sempre que necessário.

O verdadeiro avanço da estética não se mede pelo número de equipamentos lançados todos os anos, nem pela quantidade de sessões vendidas.

Mede-se pela qualidade da avaliação, pela segurança dos procedimentos, pela capacidade de individualizar os cuidados e pela honestidade com que comunicamos os resultados possíveis.

A tecnologia pode executar uma função. Mas é o conhecimento do profissional que deve orientar a decisão de a utilizar.

Se queremos elevar o nível da nossa profissão, temos de começar por uma pergunta simples:

Estamos a tratar pessoas ou estamos apenas a executar protocolos?

Esta é uma reflexão que deixo a todos os profissionais que, tal como eu, desejam continuar a evoluir e a dignificar a estética.

Sara Lima
Academia Online Sara Lima

domingo, 11 de outubro de 2026

Diapasão de 128 Hz no Rastreio da Neuropatia Diabética




O Uso do Diapasão no Rastreio da Neuropatia Diabética: Um Instrumento Essencial na Avaliação da Sensibilidade dos Pés

Academia Online Sara Lima

O que é a neuropatia diabética?

A neuropatia diabética é uma complicação da diabetes mellitus que pode afetar os nervos periféricos, sobretudo os nervos dos membros inferiores. Uma das suas manifestações mais frequentes é a diminuição progressiva da sensibilidade dos pés.

A pessoa pode deixar de sentir adequadamente o contacto, a pressão, a temperatura ou as vibrações. Em alguns casos, pode também apresentar formigueiro, sensação de queimadura, dor ou dormência.

A perda de sensibilidade merece especial atenção, pois uma pequena ferida, uma queimadura ou uma lesão provocada pelo calçado pode evoluir sem que a pessoa se aperceba. Por esse motivo, a avaliação regular dos pés é fundamental na prevenção de complicações.

O que é o diapasão e para que serve?

O diapasão é um instrumento metálico que, quando colocado em vibração, produz uma oscilação de frequência determinada.

Na avaliação da neuropatia diabética, utiliza-se habitualmente o diapasão de 128 Hz, que permite avaliar a capacidade da pessoa para perceber estímulos vibratórios transmitidos aos tecidos.

Este teste ajuda a identificar possíveis alterações da sensibilidade vibratória, uma função associada principalmente às fibras nervosas de maior calibre e às vias sensitivas responsáveis pela transmissão dessa informação.

A diminuição ou ausência da perceção das vibrações pode constituir um sinal de alteração neurológica e justificar uma avaliação clínica mais aprofundada.

Como se realiza o teste com o diapasão?

O procedimento deve ser realizado por um profissional com formação adequada na avaliação da sensibilidade dos pés.

Preparação

Explica-se o procedimento à pessoa e confirma-se que compreendeu o que deverá fazer. Antes de iniciar a avaliação, pode colocar-se o diapasão em vibração e aplicá-lo numa zona óssea, como o punho, para demonstrar a sensação que deverá reconhecer.

Execução do teste

Após colocar o diapasão em vibração, o profissional aplica a sua extremidade sobre uma proeminência óssea na região dorsal da falange distal do dedo grande do pé, também designado hálux.

O instrumento deve ser aplicado perpendicularmente à superfície óssea, mantendo uma pressão constante e adequada.

Pede-se à pessoa que indique quando sente a vibração e quando deixa de a sentir. Para reduzir a possibilidade de respostas condicionadas, devem alternar-se aplicações com vibração e aplicações simuladas, nas quais o instrumento não está a vibrar.

De acordo com o protocolo descrito nas orientações do International Working Group on the Diabetic Foot (IWGDF), podem realizar-se três aplicações, duas das quais com vibração e uma sem vibração.

Se a pessoa não conseguir perceber as vibrações no dedo, a avaliação pode ser repetida numa região mais proximal, como o maléolo, junto ao tornozelo, de acordo com o protocolo clínico utilizado.

Como interpretar os resultados?

A interpretação deve considerar as respostas da pessoa, a técnica de aplicação e os restantes dados obtidos durante a avaliação.

Quando a pessoa reconhece corretamente a presença ou ausência da vibração nas aplicações realizadas, a perceção vibratória pode estar preservada naquele local.

Quando apresenta dificuldade persistente em reconhecer as vibrações, ou não consegue distingui-las das aplicações simuladas, pode existir uma alteração da sensibilidade vibratória.

No protocolo de rastreio descrito pelo IWGDF, considera-se alterada a resposta quando a pessoa responde incorretamente em pelo menos duas das três aplicações. Este resultado deve ser interpretado no contexto da avaliação clínica, não devendo ser utilizado isoladamente para confirmar ou excluir neuropatia diabética.

É importante salientar que a capacidade de perceção das vibrações pode variar com a idade e com outras condições neurológicas. A técnica de execução também influencia o resultado.

Diapasão e monofilamento: qual é a diferença?

Embora ambos sejam utilizados na avaliação dos pés de pessoas com diabetes, estes instrumentos avaliam modalidades sensitivas diferentes.

O diapasão de 128 Hz avalia a perceção da vibração, contribuindo para identificar alterações da função das fibras nervosas de maior calibre.

O monofilamento de 10 g é utilizado para avaliar a sensibilidade à pressão e identificar a perda da sensibilidade protetora, importante na avaliação do risco de ulceração.

Por esse motivo, o diapasão não substitui o monofilamento. Os dois testes fornecem informações complementares e podem integrar uma avaliação mais abrangente da neuropatia e do risco de complicações nos pés.

A avaliação clínica pode incluir ainda a observação da pele e das unhas, a identificação de calosidades e deformidades, a pesquisa de lesões e a avaliação da circulação periférica.

Qual é a importância deste teste para a podologia?

Na prática podológica, reconhecer precocemente alterações da sensibilidade é fundamental para orientar os cuidados e identificar situações que necessitam de encaminhamento clínico.

Uma pessoa com neuropatia pode apresentar uma lesão sem dor ou com sinais de alerta menos evidentes. A ausência de dor não significa, portanto, ausência de lesão.

A utilização adequada do diapasão permite acrescentar informação à avaliação neurológica dos pés. Quando o resultado sugere perda de sensibilidade, o profissional deve considerar a necessidade de avaliação médica e de medidas preventivas individualizadas.

A periodicidade dos exames deve ser ajustada ao risco individual. Nas pessoas com diabetes, recomenda-se uma avaliação estruturada dos pés pelo menos uma vez por ano, com avaliações mais frequentes quando existem fatores de risco ou alterações identificadas.

Conclusão

O diapasão de 128 Hz é um instrumento simples, acessível e útil no rastreio de alterações da sensibilidade vibratória associadas à neuropatia diabética.

A sua utilização correta pode contribuir para reconhecer sinais de alerta e reforçar a importância da vigilância dos pés. No entanto, o resultado deve ser integrado numa avaliação clínica completa, em conjunto com outros testes sensitivos e com a observação dos pés.

Na podologia, avaliar a sensibilidade não é apenas realizar um teste: é contribuir para a identificação precoce do risco e para a prevenção de complicações que podem comprometer a saúde e a qualidade de vida da pessoa com diabetes.

Nota profissional: o teste com diapasão é um procedimento de rastreio e avaliação clínica, não um diagnóstico definitivo isolado. Resultados alterados devem ser avaliados por um profissional de saúde habilitado.

quinta-feira, 8 de outubro de 2026

Pé Diabético e o teste de Monofilamento

 


O teste do monofilamento de 10 g é um exame simples, rápido e muito importante na avaliação dos pés de pessoas com diabetes. Ele serve principalmente para verificar se a pessoa perdeu a sensibilidade protetora dos pés, situação conhecida como LOPS (Loss of Protective Sensation). Essa perda de sensibilidade aumenta o risco de feridas, úlceras e, em casos graves, amputação.

🦶 O que é o monofilamento?

É um pequeno filamento de nylon calibrado para exercer uma força aproximada de 10 gramas quando aplicado corretamente sobre determinados pontos do pé.

O profissional encosta o filamento perpendicularmente à pele até que ele se dobre, avaliando se a pessoa percebe ou não o toque.

A ideia é bastante simples:

A pessoa sente o estímulo → a sensibilidade protetora está presente naquele ponto.

A pessoa não sente → pode existir perda de sensibilidade protetora e o pé passa a ser considerado de maior risco.

Mas há um detalhe importante: o monofilamento não deve ser utilizado isoladamente para diagnosticar neuropatia diabética. As recomendações atuais indicam combiná-lo com pelo menos outro teste neurológico, como avaliação de vibração, temperatura ou picada.

⚠️ Por que isso é tão importante?

A neuropatia diabética pode fazer com que a pessoa não perceba uma lesão que normalmente seria dolorosa.

Por exemplo:

  • uma pequena pedra dentro do sapato;
  • uma queimadura;
  • uma bolha;
  • uma unha que lesionou a pele;
  • uma calosidade submetida a pressão;
  • um sapato apertado;
  • uma pequena ferida durante o corte das unhas.

Uma pessoa com sensibilidade normal tende a sentir dor ou desconforto e retirar o pé ou corrigir o problema.

Quando existe perda da sensibilidade protetora, o traumatismo pode continuar sem que a pessoa perceba. É justamente essa combinação de neuropatia, trauma e outros fatores, como deformidade ou doença arterial periférica, que pode favorecer o aparecimento de úlceras.

Como escolher o melhor aparelho multifunções?

 


40 kHz × 60 kHz × 80 kHz

A diferença principal é a frequência da onda ultrassônica. Quanto maior o número de kHz, maior é a frequência e, em termos físicos, menor o comprimento de onda.

FrequênciaCaracterística geralUso mais comum em estética
40 kHzFrequência mais baixaCavitação corporal, especialmente áreas com maior espessura de tecido adiposo
60 kHzFrequência intermediáriaCavitação corporal, podendo oferecer uma abordagem mais versátil
80 kHzFrequência mais altaUltrassom/cavitação com comportamento diferente, geralmente utilizado em tratamentos corporais mais superficiais

🔵 40 kHz

É uma das frequências mais encontradas nos aparelhos de cavitação estética corporal.

A ideia comercial/técnica é que o ultrassom de 40 kHz seja utilizado para produzir cavitação no tecido, sendo bastante associado a tratamentos corporais destinados a áreas com maior quantidade de tecido adiposo.

É muito comum encontrar aparelhos multifunções anunciados como:

Cavitação 40 kHz + RF + Vacuum + outras tecnologias.

🟢 60 kHz

O 60 kHz fica entre 40 e 80 kHz.

Não significa simplesmente que seja "melhor" que 40 kHz. A frequência modifica o comportamento da onda, mas o resultado de um equipamento depende também de:

  • potência;
  • intensidade acústica;
  • tipo e tamanho do transdutor;
  • modo de emissão;
  • área de aplicação;
  • qualidade do equipamento;
  • contato com a pele;
  • protocolo utilizado.

Portanto, 60 kHz não deve ser interpretado como uma versão mais potente de 40 kHz.

🟣 80 kHz

Aqui é importante fazer uma distinção.

80 kHz é uma frequência ultrassônica mais alta, mas não significa automaticamente que seja uma "cavitação mais profunda" ou "mais potente".

Na prática, a profundidade de ação não pode ser determinada apenas olhando para o número de kHz.

Isso é particularmente importante porque alguns vendedores fazem afirmações como:

40 kHz = profundo
60 kHz = médio
80 kHz = superficial

Essa tabela é simplificada demais. A profundidade e o efeito dependem de vários parâmetros do equipamento, não somente da frequência.

❓ E existe 20 kHz?

Sim, 20 kHz existe como frequência de ultrassom, mas eu faria uma distinção importante:

20 kHz está no limite inferior da faixa ultrassônica e não é a frequência que normalmente vemos como padrão nos aparelhos de cavitação estética corporal convencionais.

⭐ O ponto mais importante para você

Olhe primeiro para a especificação completa da cavitação.

Por exemplo:

Cavitação

  • Frequência: 40 kHz
  • Potência: X W
  • Intensidade: X W/cm²
  • Emissão: contínua/pulsada
  • Transdutor: X cm
  • Número de manípulos

Porque um aparelho de 40 kHz com um transdutor e potência adequados pode ser muito mais interessante do que um aparelho anunciado como 80 kHz simplesmente porque "80 é maior".

quarta-feira, 7 de outubro de 2026

Você faz dieta, cuida da alimentação, mas mesmo assim não consegue os resultados que espera? Vive cansado, sem energia e sente que o seu metabolismo está “travado”?

É importante entender que o metabolismo não depende apenas da quantidade de calorias que consumimos. A função da tireoide também desempenha um papel fundamental.

O T3 (triiodotironina) é o hormônio tireoidiano biologicamente mais ativo e participa diretamente da regulação do metabolismo, da produção de energia e de diversas funções do organismo. Para que a tireoide funcione adequadamente, o corpo também precisa de nutrientes essenciais, entre eles selênio, zinco e magnésio, que participam de diferentes processos metabólicos.

Por isso, antes de pensar apenas em “comer menos” ou aumentar a restrição alimentar, é importante olhar para o organismo como um todo: alimentação, nutrientes, sono, stress, função da tireoide e equilíbrio metabólico.

Quando existe cansaço persistente, dificuldade para perder peso ou alterações que sugerem um problema hormonal, a investigação adequada é fundamental.

Cuidar do metabolismo começa por compreender o que o organismo realmente precisa para funcionar bem.

Mais do que combater os sintomas, é preciso olhar para as causas e para os nutrientes que sustentam o funcionamento do organismo.

terça-feira, 6 de outubro de 2026

A Verdade Sobre a Hipertensão: O Seu Coração é a Vítima, Não o Culpado

É muito comum associarmos a hipertensão a um problema puramente cardiovascular. Muita gente acha, aliás, que a tensão alta é causada pelo coração. No entanto, a realidade é bem diferente: a hipertensão tem sempre uma causa.

Na verdade, a hipertensão é frequentemente causada pelos rins, sendo o coração apenas a sua maior vítima. Longe de ser apenas um problema mecânico isolado, trata-se de uma doença metabólica, que pode ter várias causas possíveis e profundas associadas ao funcionamento do nosso organismo.

Sendo os rins a raiz do problema na maior parte das vezes, a sua abordagem clínica deve refletir isso mesmo. O primeiro especialista a ser consultado deverá ser um nefrologista, para que se possa investigar a fundo e determinar as causas exatas da sua hipertensão. Só depois desta avaliação inicial, e de o problema estar devidamente enquadrado, é que o acompanhamento por um cardiologista se torna o passo seguinte.

Além do acompanhamento médico correto, a alimentação desempenha um papel crucial no controlo desta patologia. Sabia que baixar o consumo de hidratos de carbono e de açúcares reduz a tensão arterial? Ao ajustar a sua dieta, está a combater a doença na sua base metabólica, protegendo os seus rins e, consequentemente, salvando o seu coração.

quinta-feira, 24 de setembro de 2026

Procedimento para a unha em caracol

 



Após a remoção da espícula e limpeza do sulco ungueal, deve-se aplicar resina corretora na região onde anteriormente se encontrava a porção deformada da lâmina ungueal. Esta etapa tem como objetivo preencher e estabilizar o espaço, evitando que a unha continue a crescer enrolando-se para baixo.

Somente após a aplicação e adequada adaptação da resina deve ser colocada a órtese ungueal, cuja função é exercer uma força corretiva progressiva sobre a lâmina, contribuindo para orientar o seu crescimento e reduzir a curvatura característica da unha em caracol.

A sequência correta é, portanto: remoção da espícula → aplicação da resina corretora → adaptação da órtese → correção progressiva da lâmina ungueal.

Estamos a tratar pessoas ou estamos apenas a executar protocolos?

  A ESTÉTICA ESTÁ MAIS TECNOLÓGICA, MAS SERÁ QUE OS PROFISSIONAIS ESTÃO MAIS PREPARADOS? O ERRO QUE PODE ESTAR A COMPROMETER OS SEUS RESULTA...