Doença de Dupuytren: quando a mão começa a fechar lentamente
A Doença de Dupuytren é uma condição crónica e progressiva que afeta a mão, mais especificamente a fáscia palmar, um tecido fibroso localizado sob a pele da palma. Ao longo do tempo, esse tecido sofre um espessamento e encurtamento, levando à flexão progressiva de um ou mais dedos.
Trata-se de uma doença benigna, mas que pode causar limitação funcional importante se não for acompanhada adequadamente.
O que é a Doença de Dupuytren?
Na Doença de Dupuytren ocorre uma proliferação anormal de tecido fibroso na palma da mão. Esse tecido forma nódulos e cordões que, com o tempo, puxam os dedos em direção à palma, dificultando a extensão completa.
Os dedos mais frequentemente afetados são o quarto dedo (anelar) e o quinto dedo (mínimo), embora outros também possam ser envolvidos em fases mais avançadas.
A doença geralmente evolui lentamente, ao longo de anos.
Principais sinais e sintomas
Os primeiros sinais costumam ser discretos e indolores, o que faz com que muitas pessoas ignorem a condição no início.
Os sintomas mais comuns incluem:
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Pequenos nódulos duros na palma da mão
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Espessamento da pele palmar
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Formação de cordões fibrosos visíveis ou palpáveis
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Dificuldade progressiva em esticar os dedos
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Flexão permanente de um ou mais dedos em estágios avançados
Na maioria dos casos, não há dor significativa, mas pode existir desconforto ou sensação de rigidez.
Quem tem maior risco de desenvolver a doença?
A Doença de Dupuytren é mais frequente em determinados grupos, o que sugere forte influência genética.
Fatores de risco conhecidos incluem:
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Histórico familiar
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Sexo masculino
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Idade acima de 40 anos
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Origem europeia do norte
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Diabetes mellitus
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Consumo excessivo de álcool
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Tabagismo
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Epilepsia (associação observada em alguns estudos)
A doença pode afetar ambas as mãos, embora geralmente uma seja mais comprometida do que a outra.
Qual a causa da Doença de Dupuytren?
A causa exata ainda não é totalmente conhecida. O que se sabe é que há uma alteração no metabolismo do colagénio, levando à formação excessiva de fibras rígidas na fáscia palmar.
Essa alteração faz com que o tecido perca elasticidade e se contraia progressivamente.
Não se trata de uma doença inflamatória nem causada por esforço repetitivo, como muitas pessoas acreditam.
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico é essencialmente clínico, baseado na observação e palpação da mão.
Um teste simples frequentemente utilizado é o chamado “teste da mesa”: quando a pessoa não consegue apoiar completamente a mão aberta sobre uma superfície plana, isso pode indicar comprometimento funcional.
Exames de imagem raramente são necessários, exceto em casos específicos.
Tratamento: é sempre necessário?
Nem todos os casos de Doença de Dupuytren exigem tratamento imediato.
Quando a doença está em fase inicial e não causa limitação funcional, a conduta pode ser apenas observação.
As opções de tratamento, quando indicadas, incluem:
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Infiltrações enzimáticas para dissolução dos cordões fibrosos
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Procedimentos minimamente invasivos
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Cirurgia para libertação da fáscia comprometida
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Fisioterapia e reabilitação pós-procedimento
O objetivo do tratamento não é a cura definitiva, pois a doença pode recidivar, mas sim melhorar a função da mão e a qualidade de vida.
Existe relação com outras doenças?
A Doença de Dupuytren pode estar associada a outras condições fibrosantes, como:
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Doença de Ledderhose (fáscia plantar do pé)
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Doença de Peyronie (tecido fibroso do pénis)
Essas associações reforçam a origem sistémica e genética da alteração do tecido conjuntivo.
Importância da observação precoce
Identificar a Doença de Dupuytren nos estágios iniciais permite um acompanhamento adequado e a escolha do momento certo para intervir, evitando deformidades mais severas.
A progressão varia muito de pessoa para pessoa. Em alguns casos, a doença estabiliza; em outros, avança de forma significativa.
Conclusão
A Doença de Dupuytren é uma condição progressiva que afeta o tecido conjuntivo da mão, podendo levar à limitação funcional importante ao longo do tempo.
Embora não seja uma doença grave no sentido vital, pode comprometer atividades simples do dia a dia se não for acompanhada.
A observação atenta dos primeiros sinais e a orientação profissional adequada são fundamentais para preservar a função da mão e a qualidade de vida.
