Esta é uma das perguntas que mais recebo das minhas formandas:
"Professora, como faço para eliminar de uma vez por todas as calosidades dos meus clientes?"
A resposta começa por compreender uma questão fundamental: nem toda calosidade existe apenas por causa da pele.
Em muitos casos, existe uma relação entre a formação de calos e calosidades e a estrutura óssea, a anatomia e a forma como o pé distribui as cargas durante o apoio e a marcha.
Um exemplo muito importante é o pé cavo, que apresenta uma alteração na distribuição das pressões plantares.
Dependendo da estrutura e do padrão de apoio, podem surgir áreas de maior pressão e atrito, favorecendo o aparecimento de calosidades principalmente:
• na região dos metatarsos;
• nos dedos;
• no hálux;
• no calcanhar;
• e em outras zonas submetidas a sobrecarga.
Por isso, retirar a calosidade pode proporcionar uma melhora imediata, mas se a pressão que está a provocar aquela hiperqueratose continuar presente, é possível que ela volte.
É aqui que entra a importância de uma avaliação mais completa.
O profissional não deve olhar apenas para a calosidade. Deve observar:
A calosidade pode ser apenas a "ponta do iceberg".
Por isso, o objetivo de um bom atendimento não deve ser simplesmente retirar a pele endurecida, mas compreender por que aquela região está a receber pressão repetidamente e trabalhar dentro das competências profissionais para reduzir essa sobrecarga.
E existe uma diferença enorme entre remover uma calosidade e compreender o pé que está a produzir aquela calosidade.
É justamente este tipo de raciocínio que procuro ensinar às minhas formandas: observar o pé como um todo, identificar possíveis fatores associados e escolher a abordagem adequada para cada caso.
Porque, quando entendemos a causa mecânica, o nosso trabalho deixa de ser apenas "tirar calos" e passa a ser um cuidado muito mais consciente e individualizado.
Sara Lima

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