Xantelasma: um sinal na pele que pode indicar risco cardiovascular?
O xantelasma é uma alteração cutânea caracterizada pelo aparecimento de placas amareladas, planas ou ligeiramente elevadas, geralmente localizadas nas pálpebras, especialmente próximas ao canto interno dos olhos. Embora muitas pessoas o encarem apenas como uma questão estética, ele pode estar associado a alterações metabólicas importantes.
O que é o xantelasma?
O xantelasma é formado pelo depósito de colesterol e outros lípidos na pele. Ele pertence ao grupo dos xantomas, que são acúmulos de gordura no tecido subcutâneo. As lesões não costumam causar dor, inflamação ou comichão, mas tendem a crescer lentamente ao longo do tempo.
É mais comum em adultos de meia-idade, podendo surgir tanto em homens como em mulheres. Em alguns casos, está associado a níveis elevados de colesterol, mas pode também aparecer em pessoas com análises aparentemente normais.
Relação com colesterol elevado
Uma das principais associações do xantelasma é com dislipidemia, especialmente:
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Colesterol LDL elevado
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Triglicerídeos elevados
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Alterações no metabolismo das gorduras
Estima-se que cerca de metade das pessoas com xantelasma apresente alterações no perfil lipídico. No entanto, mesmo quando os valores laboratoriais estão dentro dos limites considerados normais, pode existir um risco cardiovascular aumentado.
Isso ocorre porque o xantelasma pode refletir um distúrbio subclínico do metabolismo lipídico ou uma predisposição genética para aterosclerose.
Xantelasma e risco cardiovascular
Diversos estudos epidemiológicos demonstraram que o xantelasma pode estar associado a maior risco de:
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Doença arterial coronária
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Infarto do miocárdio
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Aterosclerose
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Acidente Vascular Cerebral (AVC)
A explicação possível está na aterosclerose, processo em que ocorre o acúmulo de placas de gordura nas artérias. Se o organismo está a depositar colesterol na pele, pode também estar a depositá-lo na parede dos vasos sanguíneos.
Mesmo em pessoas sem colesterol elevado nas análises, o xantelasma tem sido considerado um marcador clínico independente de risco cardiovascular.
Existe relação com aneurisma?
O aneurisma é uma dilatação anormal de uma artéria, frequentemente associada à fragilidade da parede vascular e a fatores como hipertensão, aterosclerose e inflamação crónica.
Embora o xantelasma não seja uma causa direta de aneurisma, ambos podem estar ligados ao mesmo processo subjacente: alterações na estrutura e saúde dos vasos sanguíneos.
A presença de dislipidemia, inflamação vascular e aterosclerose aumenta o risco não apenas de enfarte e AVC, mas também de aneurismas, especialmente da aorta.
Assim, o xantelasma pode funcionar como um sinal externo de que o sistema vascular merece avaliação cuidadosa.
Xantelasma é apenas um problema estético?
Não necessariamente.
Muitas pessoas procuram tratamento apenas por razões estéticas, recorrendo a:
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Laser
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Eletrocoagulação
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Cirurgia
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Crioterapia
No entanto, remover a lesão não elimina o possível risco cardiovascular subjacente. O mais importante é investigar a causa metabólica.
Quando o xantelasma é identificado, recomenda-se avaliação clínica com:
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Perfil lipídico completo
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Avaliação da glicemia
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Medição da pressão arterial
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Análise de fatores de risco familiares
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Avaliação do estilo de vida
Abordagem preventiva
Independentemente dos valores laboratoriais, a presença de xantelasma deve ser encarada como um convite à prevenção.
Medidas importantes incluem:
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Redução do consumo de gorduras saturadas e ultraprocessados
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Aumento da ingestão de fibras
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Controlo do peso corporal
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Prática regular de atividade física
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Gestão do stress
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Cessação tabágica
A saúde cardiovascular é multifatorial e depende de um conjunto de hábitos consistentes ao longo do tempo.
Conclusão
O xantelasma pode parecer apenas uma pequena placa amarelada na pálpebra, mas em alguns casos pode representar um marcador externo de alterações metabólicas e risco cardiovascular aumentado.
Ele não significa automaticamente que exista doença grave, mas pode ser um sinal de alerta importante.
Observar o corpo com atenção e procurar avaliação adequada pode fazer a diferença entre tratar um sintoma estético ou prevenir um problema cardiovascular mais sério no futuro.
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