SÍNDROME DE ALICE NO PAÍS DAS MARAVILHAS: SABES REALMENTE PARA ONDE QUERES IR?

Há uma passagem na história de Alice no País das Maravilhas que nos oferece uma das maiores lições sobre a vida.

Quando Alice se encontra perdida, pergunta ao Gato de Cheshire:

«Podes dizer-me, por favor, que caminho devo seguir?»

O gato responde com outra pergunta:

«Isso depende muito de para onde queres ir.»

Alice confessa que não sabe.

E o gato responde, com toda a simplicidade:

«Então, pouco importa o caminho que sigas.»

Esta pequena conversa encerra uma grande verdade sobre a vida humana.

Quantas pessoas vivem exatamente como Alice?

Levantam-se todas as manhãs, trabalham, estudam, fazem cursos, acumulam responsabilidades, cumprem horários, pagam contas, comem, dormem e repetem tudo no dia seguinte.

Estão constantemente em movimento. Ocupadas. Cansadas. Sempre com alguma coisa para fazer.

Mas será que sabem para onde estão a caminhar?

Estar ocupado não significa estar a progredir. Trabalhar muito não significa necessariamente estar a construir aquilo que desejamos. E acumular conhecimentos não significa que saibamos o que fazer com eles.

Podemos passar anos a caminhar sem nunca nos perguntarmos se o destino que procuramos é realmente aquele que queremos alcançar.

E existe um perigo silencioso nisso: quanto mais tempo investimos num caminho sem questionarmos a sua direção, mais difícil pode parecer parar, reconhecer que precisamos de mudar e começar uma nova jornada.

Não porque seja impossível voltar atrás, mas porque nos habituamos ao percurso, criamos compromissos, alimentamos expectativas e, muitas vezes, confundimos o tempo já investido com uma obrigação de continuar.

Mas a vida muda quando sabemos para onde queremos ir.

Quando temos um objetivo, as nossas escolhas ganham sentido. Passamos a distinguir o que nos aproxima daquilo que desejamos daquilo que apenas nos mantém ocupados.

Começamos a escolher melhor onde investimos o nosso tempo, a nossa energia, os nossos conhecimentos e até o nosso dinheiro.

E, quando percebemos que estamos no caminho errado, podemos parar, reavaliar a direção e escolher uma nova rota.

Porque mudar de caminho não é necessariamente fracassar. Por vezes, é a primeira decisão verdadeiramente acertada que tomamos.

E o que tem tudo isto a ver convosco, enquanto profissionais e mulheres que procuram crescer?

Tem tudo a ver!

Não basta fazer uma formação. É importante saber o que queremos construir com os conhecimentos que adquirimos.

Não basta ter um certificado. É necessário compreender como transformar aquilo que aprendemos em competências, oportunidades e crescimento profissional.

Não basta acumular cursos, manuais e diplomas, se não soubermos como utilizar esse conhecimento para alcançar os nossos objetivos.

Uma formação não deve ser apenas mais um caminho percorrido, mas uma ferramenta para chegarmos a algum lugar.

Aprender deve ter um propósito!

Quando decidimos frequentar um curso, devemos perguntar a nós próprias: o que pretendo aprender? Como vou aplicar estes conhecimentos? De que forma poderão contribuir para o meu desenvolvimento profissional e pessoal?

Não significa que todos os cursos tenham de gerar dinheiro ou resultados imediatos. Aprender também é descobrir, crescer, questionar e abrir horizontes. Mas é importante que as nossas escolhas sejam conscientes e estejam alinhadas com aquilo que valorizamos.

Queremos independência financeira? Construir o nosso próprio negócio? Conquistar reconhecimento profissional? Ter mais liberdade? Realizar um projeto que adiamos há anos?

Cada pessoa terá a sua resposta. E não existe uma única resposta certa para todas.

O importante é que a direção seja nossa, escolhida com consciência, e não apenas aquela que os outros escolheram por nós.

Porque podemos passar anos à espera que uma oportunidade apareça, que alguém reconheça o nosso valor ou que as circunstâncias mudem. Mas, enquanto esperamos, o tempo continua a passar.

E chega um momento em que precisamos de deixar de ser apenas passageiras da nossa própria vida e assumir o lugar de quem escolhe a direção.

Isso exige coragem, planeamento, persistência e, acima de tudo, honestidade connosco próprias.

Por isso, deixo-vos três perguntas que gostaria que cada uma refletisse em silêncio:

1. Onde estou neste momento?

Não onde gostaria de estar, nem onde digo aos outros que estou. Onde estou realmente, na minha vida pessoal e profissional?

2. Onde quero chegar?

Qual é o objetivo que verdadeiramente desejo alcançar? O que quero construir nos próximos anos? Que mudanças preciso de fazer para me aproximar desse objetivo?

3. O caminho que estou a seguir aproxima-me ou afasta-me desse objetivo?

As minhas decisões diárias estão a ajudar-me a construir o futuro que desejo ou estou apenas a repetir hábitos e rotinas?

Não precisamos de ter todas as respostas imediatamente. Também não precisamos de conhecer cada curva do caminho antes de começar.

Mas precisamos de saber, pelo menos, em que direção queremos caminhar.

Porque há uma diferença enorme entre caminhar sem rumo e caminhar com um propósito, mesmo quando ainda não conhecemos todos os passos.

Lembrem-se: não é a velocidade com que caminhamos que determina o nosso sucesso, mas a direção que escolhemos.

E, se um dia descobrirem que estão no caminho errado, não tenham medo de parar, repensar e recomeçar.

O tempo que passou não pode ser recuperado, mas o tempo que ainda temos pode ser utilizado de uma forma diferente.

Nunca é tarde para fazer novas escolhas. Mas é importante não deixar que a vida passe inteira sem nos perguntarmos o que queremos realmente fazer com ela.

Não se trata de fazer mais, de trabalhar até à exaustão ou de estar permanentemente ocupadas. Trata-se de dar sentido ao que fazemos, reconhecer as oportunidades que nos aproximam dos nossos objetivos e ter a coragem de abandonar os caminhos que já não nos levam onde desejamos chegar.

Porque, no fim, a pergunta não é quantos cursos fizemos, quantos certificados acumulámos, quantas horas trabalhámos ou quantos anos passaram.

A pergunta é: estamos a construir a vida que queremos ou apenas a viver a vida que acontece?

E agora, a pergunta que deixo a cada uma de vós é esta:

Se hoje o Gato de Cheshire vos perguntasse «Para onde queres ir?», saberiam o que responder?

Pensem nisso.

Porque o primeiro passo para chegar a algum lugar é saber onde queremos chegar.

E lembrem-se: uma formação pode abrir-vos uma porta, mas são as vossas escolhas, as vossas ações e a vossa determinação que vos levarão a atravessá-la.

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