Fungo ou micose da unha? Saiba distinguir e compreender por que o tratamento demora tanto tempo
Fungo e micose não são a mesma coisa. Embora estes termos sejam frequentemente utilizados como se fossem sinónimos, existe uma diferença importante que todos os profissionais de cuidados dos pés devem conhecer.
Esta distinção ajuda a compreender o que acontece numa unha infetada, por que razão o tratamento pode ser prolongado e por que motivo uma unha aparentemente melhor ainda pode apresentar alterações.
O que é um fungo?
Um fungo é um organismo vivo que pode desenvolver-se em diferentes ambientes, incluindo a pele e as unhas, quando encontra condições favoráveis.
Alguns fungos são capazes de invadir a unha e utilizar a queratina, uma proteína que constitui grande parte da sua estrutura, como fonte de nutrientes.
Entre os fungos associados às infeções das unhas encontram-se os dermatófitos, embora também existam leveduras e outros fungos que podem estar envolvidos.
O fungo é o agente que pode provocar a infeção. A sua presença, por si só, não significa necessariamente que exista uma micose ativa: é necessário considerar o contexto clínico e confirmar a causa quando indicado.
O que é uma micose?
A micose é uma infeção causada por fungos.
Quando a infeção afeta a unha, designa-se por onicomicose. Pode atingir as unhas dos pés ou das mãos, provocando alterações progressivas na sua aparência e estrutura.
Entre os sinais que podem surgir encontram-se:
Alteração da cor, com tonalidades amareladas, esbranquiçadas ou acastanhadas.
Espessamento da unha.
Fragilidade, descamação ou fragmentação.
Descolamento parcial da unha do leito ungueal.
Acumulação de material por baixo da unha.
É importante compreender que estes sinais não confirmam, por si só, uma infeção fúngica. Traumatismos, psoríase e outras alterações ungueais podem produzir manifestações semelhantes.
Por isso, não se deve concluir automaticamente que uma unha alterada tem micose apenas pela sua aparência.
Qual é, afinal, a diferença entre fungo e micose?
A diferença pode ser resumida de forma simples:
Fungo: é o organismo que pode causar a infeção.
Micose: é a infeção provocada pelo fungo.
Na onicomicose, o fungo invade estruturas da unha e pode comprometer progressivamente a sua aparência e integridade.
Compreender esta diferença é especialmente importante para os profissionais que trabalham com unhas, pois permite utilizar os termos corretamente e explicar melhor a situação aos seus clientes.
Porque é que uma unha com micose demora tanto tempo a recuperar?
Esta é uma das questões mais importantes.
O tratamento antifúngico procura eliminar ou controlar o fungo responsável pela infeção. No entanto, a parte da unha que já ficou danificada não recupera necessariamente a sua estrutura normal apenas porque a infeção foi eliminada.
A unha precisa de crescer para que a zona alterada avance em direção à extremidade e possa ser gradualmente cortada, dando lugar a unha nova.
Nas unhas dos pés, este processo é particularmente lento. A recuperação visual completa pode demorar cerca de 12 a 18 meses, dependendo da unha afetada, da extensão do problema e da velocidade de crescimento. https://www.nhs.uk/conditions/fungal-nail-infection/
É por isso que a resolução da infeção e a recuperação da aparência da unha não são exatamente a mesma coisa.
O desaparecimento do fungo não faz com que a parte já danificada desapareça imediatamente. É necessário aguardar pelo crescimento da unha saudável.
Importa, contudo, esclarecer que o tratamento adequado deve ser iniciado e acompanhado sem esperar que a unha cresça por completo. A duração do tratamento depende do método utilizado e da avaliação clínica.
O que deve fazer o profissional de pedicure ou podologia?
Perante uma unha suspeita de micose, o profissional deve observar cuidadosamente as alterações, registar a sua evolução e evitar diagnósticos precipitados.
Sempre que necessário, deve recomendar uma avaliação por um profissional de saúde habilitado para confirmar a causa e orientar o tratamento adequado.
O corte ou desbaste profissional da unha pode ajudar a reduzir a espessura e o desconforto em determinadas situações, mas não substitui o tratamento antifúngico quando este é indicado.
Também é fundamental manter uma boa higiene dos instrumentos, não partilhar materiais sem a devida desinfeção e esterilização, conforme aplicável, e aconselhar cuidados que reduzam a humidade excessiva dos pés.
Pessoas com diabetes, imunidade comprometida, dor, inflamação ou agravamento das alterações devem receber especial atenção e orientação clínica adequada.
Conhecimento técnico faz a diferença
Distinguir o agente causador da infeção, reconhecer os sinais suspeitos e compreender o tempo necessário para a recuperação da unha são conhecimentos fundamentais para quem trabalha na área dos cuidados dos pés.
Uma unha saudável não depende apenas daquilo que se observa à superfície. É necessário compreender os processos biológicos envolvidos, reconhecer os limites da intervenção profissional e saber quando encaminhar o cliente.
Academia Online Sara Lima
Conhecimento, formação e atualização profissional nas áreas da saúde, beleza e bem-estar.
Nota informativa: este artigo tem finalidade educativa e não substitui uma avaliação clínica nem aconselhamento individualizado.

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