domingo, 11 de outubro de 2026

Diapasão de 128 Hz no Rastreio da Neuropatia Diabética




O Uso do Diapasão no Rastreio da Neuropatia Diabética: Um Instrumento Essencial na Avaliação da Sensibilidade dos Pés

Academia Online Sara Lima

O que é a neuropatia diabética?

A neuropatia diabética é uma complicação da diabetes mellitus que pode afetar os nervos periféricos, sobretudo os nervos dos membros inferiores. Uma das suas manifestações mais frequentes é a diminuição progressiva da sensibilidade dos pés.

A pessoa pode deixar de sentir adequadamente o contacto, a pressão, a temperatura ou as vibrações. Em alguns casos, pode também apresentar formigueiro, sensação de queimadura, dor ou dormência.

A perda de sensibilidade merece especial atenção, pois uma pequena ferida, uma queimadura ou uma lesão provocada pelo calçado pode evoluir sem que a pessoa se aperceba. Por esse motivo, a avaliação regular dos pés é fundamental na prevenção de complicações.

O que é o diapasão e para que serve?

O diapasão é um instrumento metálico que, quando colocado em vibração, produz uma oscilação de frequência determinada.

Na avaliação da neuropatia diabética, utiliza-se habitualmente o diapasão de 128 Hz, que permite avaliar a capacidade da pessoa para perceber estímulos vibratórios transmitidos aos tecidos.

Este teste ajuda a identificar possíveis alterações da sensibilidade vibratória, uma função associada principalmente às fibras nervosas de maior calibre e às vias sensitivas responsáveis pela transmissão dessa informação.

A diminuição ou ausência da perceção das vibrações pode constituir um sinal de alteração neurológica e justificar uma avaliação clínica mais aprofundada.

Como se realiza o teste com o diapasão?

O procedimento deve ser realizado por um profissional com formação adequada na avaliação da sensibilidade dos pés.

Preparação

Explica-se o procedimento à pessoa e confirma-se que compreendeu o que deverá fazer. Antes de iniciar a avaliação, pode colocar-se o diapasão em vibração e aplicá-lo numa zona óssea, como o punho, para demonstrar a sensação que deverá reconhecer.

Execução do teste

Após colocar o diapasão em vibração, o profissional aplica a sua extremidade sobre uma proeminência óssea na região dorsal da falange distal do dedo grande do pé, também designado hálux.

O instrumento deve ser aplicado perpendicularmente à superfície óssea, mantendo uma pressão constante e adequada.

Pede-se à pessoa que indique quando sente a vibração e quando deixa de a sentir. Para reduzir a possibilidade de respostas condicionadas, devem alternar-se aplicações com vibração e aplicações simuladas, nas quais o instrumento não está a vibrar.

De acordo com o protocolo descrito nas orientações do International Working Group on the Diabetic Foot (IWGDF), podem realizar-se três aplicações, duas das quais com vibração e uma sem vibração.

Se a pessoa não conseguir perceber as vibrações no dedo, a avaliação pode ser repetida numa região mais proximal, como o maléolo, junto ao tornozelo, de acordo com o protocolo clínico utilizado.

Como interpretar os resultados?

A interpretação deve considerar as respostas da pessoa, a técnica de aplicação e os restantes dados obtidos durante a avaliação.

Quando a pessoa reconhece corretamente a presença ou ausência da vibração nas aplicações realizadas, a perceção vibratória pode estar preservada naquele local.

Quando apresenta dificuldade persistente em reconhecer as vibrações, ou não consegue distingui-las das aplicações simuladas, pode existir uma alteração da sensibilidade vibratória.

No protocolo de rastreio descrito pelo IWGDF, considera-se alterada a resposta quando a pessoa responde incorretamente em pelo menos duas das três aplicações. Este resultado deve ser interpretado no contexto da avaliação clínica, não devendo ser utilizado isoladamente para confirmar ou excluir neuropatia diabética.

É importante salientar que a capacidade de perceção das vibrações pode variar com a idade e com outras condições neurológicas. A técnica de execução também influencia o resultado.

Diapasão e monofilamento: qual é a diferença?

Embora ambos sejam utilizados na avaliação dos pés de pessoas com diabetes, estes instrumentos avaliam modalidades sensitivas diferentes.

O diapasão de 128 Hz avalia a perceção da vibração, contribuindo para identificar alterações da função das fibras nervosas de maior calibre.

O monofilamento de 10 g é utilizado para avaliar a sensibilidade à pressão e identificar a perda da sensibilidade protetora, importante na avaliação do risco de ulceração.

Por esse motivo, o diapasão não substitui o monofilamento. Os dois testes fornecem informações complementares e podem integrar uma avaliação mais abrangente da neuropatia e do risco de complicações nos pés.

A avaliação clínica pode incluir ainda a observação da pele e das unhas, a identificação de calosidades e deformidades, a pesquisa de lesões e a avaliação da circulação periférica.

Qual é a importância deste teste para a podologia?

Na prática podológica, reconhecer precocemente alterações da sensibilidade é fundamental para orientar os cuidados e identificar situações que necessitam de encaminhamento clínico.

Uma pessoa com neuropatia pode apresentar uma lesão sem dor ou com sinais de alerta menos evidentes. A ausência de dor não significa, portanto, ausência de lesão.

A utilização adequada do diapasão permite acrescentar informação à avaliação neurológica dos pés. Quando o resultado sugere perda de sensibilidade, o profissional deve considerar a necessidade de avaliação médica e de medidas preventivas individualizadas.

A periodicidade dos exames deve ser ajustada ao risco individual. Nas pessoas com diabetes, recomenda-se uma avaliação estruturada dos pés pelo menos uma vez por ano, com avaliações mais frequentes quando existem fatores de risco ou alterações identificadas.

Conclusão

O diapasão de 128 Hz é um instrumento simples, acessível e útil no rastreio de alterações da sensibilidade vibratória associadas à neuropatia diabética.

A sua utilização correta pode contribuir para reconhecer sinais de alerta e reforçar a importância da vigilância dos pés. No entanto, o resultado deve ser integrado numa avaliação clínica completa, em conjunto com outros testes sensitivos e com a observação dos pés.

Na podologia, avaliar a sensibilidade não é apenas realizar um teste: é contribuir para a identificação precoce do risco e para a prevenção de complicações que podem comprometer a saúde e a qualidade de vida da pessoa com diabetes.

Nota profissional: o teste com diapasão é um procedimento de rastreio e avaliação clínica, não um diagnóstico definitivo isolado. Resultados alterados devem ser avaliados por um profissional de saúde habilitado.

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