Os ossos sesamoides são pequenos ossos arredondados que se desenvolvem no interior de tendões. O seu nome deriva da sua semelhança com as sementes de sésamo.
Embora existam vários ossos sesamoides no corpo humano, os mais importantes do ponto de vista clínico localizam-se na planta do pé, sob a cabeça do primeiro metatarso, na articulação do dedo grande do pé (hálux).
O que são os ossos sesamoides?
Os sesamoides são ossos que:
- Desenvolvem-se dentro de um tendão.
- Não fazem parte da continuidade normal do esqueleto.
- Estão presentes em zonas sujeitas a elevada pressão e atrito.
- Funcionam como pequenas polias biomecânicas.
No pé existem normalmente dois ossos sesamoides:
- Sesamoide medial (tibial)
- Sesamoide lateral (fibular)
Ambos encontram-se incorporados no tendão do músculo flexor curto do hálux.
Localização
Situam-se:
- Na face plantar do pé.
- Debaixo da cabeça do primeiro metatarso.
- Entre o tendão flexor e o solo.
- Muito próximos da articulação metatarsofalângica do hálux.
Quando caminhamos, praticamente todo o peso corporal passa por esta região durante a fase final da passada.
Funções dos ossos sesamoides
1. Aumentar a eficiência muscular
Funcionam como uma polia.
Ao aumentar a distância entre o tendão e o eixo da articulação, aumentam o braço de alavanca do músculo.
Resultado:
- Maior força.
- Menor esforço muscular.
2. Distribuir cargas
Recebem parte do peso corporal.
Durante a marcha podem suportar forças equivalentes a:
- 2 vezes o peso corporal ao caminhar.
- 3 a 8 vezes o peso corporal durante corrida e salto.
3. Proteger os tendões
Evitam:
- Compressão excessiva.
- Desgaste.
- Atrito contra o primeiro metatarso.
4. Reduzir fricção
Permitem um deslizamento mais suave dos tendões.
5. Melhorar a propulsão
Na fase de impulsão da marcha, ajudam o hálux a empurrar o corpo para a frente.
Sem eles:
- A marcha torna-se menos eficiente.
- O esforço muscular aumenta.
Anatomia
Cada sesamoide possui:
- Superfície articular lisa.
- Cartilagem hialina.
- Ligamentos de estabilização.
- Inserções tendinosas.
Entre ambos passa o tendão do músculo flexor longo do hálux.
Irrigação sanguínea
A vascularização é relativamente limitada.
Por isso:
- Fraturas podem demorar a consolidar.
- Inflamações podem tornar-se crónicas.
Variações anatómicas
Nem todas as pessoas apresentam sesamoides exatamente iguais.
Podem existir:
- Sesamoide bipartido (dividido em duas partes).
- Sesamoides maiores.
- Sesamoides menores.
- Ausência rara de um dos sesamoides.
Um sesamoide bipartido é uma variação anatómica normal e não deve ser confundido com uma fratura.
O que é a sesamoidite?
A sesamoidite é uma inflamação dolorosa dos ossos sesamoides e/ou dos tecidos adjacentes, geralmente causada por sobrecarga mecânica repetitiva.
É considerada uma lesão por esforço repetitivo.
Como ocorre?
Cada passo produz compressão dos sesamoides.
Quando existe excesso de carga, ocorre:
- Microtrauma.
- Inflamação.
- Edema ósseo.
- Dor.
Sem tratamento, podem surgir:
- Fraturas por stress.
- Osteonecrose.
- Degeneração articular.
Causas
As principais causas incluem:
Sobrecarga
- Caminhadas prolongadas
- Corridas
- Saltos
- Dança
Calçado inadequado
- Saltos altos
- Sapatos muito rígidos
- Calçado estreito
Alterações biomecânicas
- Pé cavo
- Hálux valgo
- Primeiro metatarso longo
- Rigidez do hálux
- Excesso de pronação ou supinação
Trauma direto
Queda de objeto pesado sobre o pé.
Atividades profissionais
Muito tempo em pé.
Pessoas de maior risco
- Corredores
- Bailarinos
- Jogadores de futebol
- Ginastas
- Caminheiros
- Profissionais que permanecem muitas horas de pé
Sintomas
Dor
O sintoma principal.
Caracteriza-se por:
- Dor localizada debaixo do dedo grande.
- Dor ao caminhar.
- Dor ao correr.
- Dor ao subir escadas.
- Dor ao ficar na ponta dos pés.
Sensação de pedra no sapato
Muitos doentes descrevem:
"Parece que estou a pisar uma pedra."
Inflamação
Pode surgir:
- Edema local
- Sensibilidade intensa
- Calor
Limitação funcional
O doente evita apoiar o hálux.
Consequentemente:
- Altera a marcha.
- Sobrecarrega outras regiões do pé.
Diagnóstico
O diagnóstico baseia-se em:
História clínica
- Tipo de dor
- Atividade física
- Trauma
Exame físico
Dor à palpação plantar dos sesamoides.
Dor ao dobrar o hálux.
Exames complementares
Podem incluir:
- Radiografia
- Ecografia
- Ressonância magnética (mais sensível para detetar edema ósseo e lesões dos tecidos moles)
- Tomografia computorizada, em casos selecionados
Diagnóstico diferencial
É importante distinguir a sesamoidite de outras condições, como:
- Fratura dos sesamoides
- Fratura por stress
- Osteonecrose do sesamoide
- Artrite da articulação metatarsofalângica
- Bursite
- Tendinite do flexor longo do hálux
- Compressão nervosa plantar
- Gota
- Artrite inflamatória
Tratamento conservador
Na maioria dos casos, o tratamento não requer cirurgia.
Inclui:
Redução da carga
- Diminuir caminhadas longas.
- Evitar corrida temporariamente.
Gelo
Aplicações durante 15 a 20 minutos, várias vezes ao dia nas fases dolorosas.
Calçado adequado
Preferir:
- Sola amortecida
- Boa absorção de impacto
- Biqueira larga
Evitar:
- Saltos altos
- Sapatos rígidos
Palmilhas
Podem incluir:
- Descarga dos sesamoides
- Apoio do arco plantar
- Almofadas em "U" ou recortes para reduzir a pressão sob os sesamoides
Fisioterapia
Pode incluir:
- Alongamentos
- Mobilização articular
- Fortalecimento muscular
- Treino da marcha
Tratamento medicamentoso
Sob orientação médica podem ser utilizados:
- Analgésicos
- Anti-inflamatórios não esteroides (AINEs)
Em casos selecionados, infiltrações podem ser consideradas, mas devem ser usadas com cautela devido ao risco de lesão dos tecidos adjacentes.
Tratamento cirúrgico
É reservado para situações específicas, como:
- Dor persistente após tratamento conservador prolongado
- Fraturas que não consolidam
- Osteonecrose
- Sesamoides gravemente lesionados
A cirurgia pode envolver a remoção parcial ou total do sesamoide (sesamoidectomia), mas essa decisão exige uma avaliação cuidadosa, pois a remoção pode alterar a biomecânica do hálux.
Prevenção
Algumas medidas ajudam a reduzir o risco de sesamoidite:
- Utilizar calçado adequado para a atividade.
- Evitar aumentos bruscos da intensidade do exercício.
- Fortalecer a musculatura do pé e da perna.
- Corrigir alterações biomecânicas quando necessário.
- Manter um peso corporal saudável.
- Tratar precocemente dores persistentes na região plantar do hálux.
Prognóstico
A maioria das pessoas melhora com tratamento conservador, embora a recuperação possa demorar várias semanas ou meses, dependendo da gravidade e da continuação da sobrecarga. O retorno às atividades desportivas deve ser gradual e orientado pela ausência de dor.
Para profissionais de podologia, fisioterapia e estética integrativa, reconhecer precocemente a sesamoidite é essencial para evitar complicações como fraturas por stress, osteonecrose e alterações permanentes da marcha. Uma avaliação biomecânica completa, associada a medidas de descarga e reabilitação, oferece os melhores resultados a longo prazo.

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