quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

Quistos nas Palmas das Mãos


 Doença de Dupuytren: quando a mão começa a fechar lentamente

A Doença de Dupuytren é uma condição crónica e progressiva que afeta a mão, mais especificamente a fáscia palmar, um tecido fibroso localizado sob a pele da palma. Ao longo do tempo, esse tecido sofre um espessamento e encurtamento, levando à flexão progressiva de um ou mais dedos.

Trata-se de uma doença benigna, mas que pode causar limitação funcional importante se não for acompanhada adequadamente.

O que é a Doença de Dupuytren?

Na Doença de Dupuytren ocorre uma proliferação anormal de tecido fibroso na palma da mão. Esse tecido forma nódulos e cordões que, com o tempo, puxam os dedos em direção à palma, dificultando a extensão completa.

Os dedos mais frequentemente afetados são o quarto dedo (anelar) e o quinto dedo (mínimo), embora outros também possam ser envolvidos em fases mais avançadas.

A doença geralmente evolui lentamente, ao longo de anos.

Principais sinais e sintomas

Os primeiros sinais costumam ser discretos e indolores, o que faz com que muitas pessoas ignorem a condição no início.

Os sintomas mais comuns incluem:

  • Pequenos nódulos duros na palma da mão

  • Espessamento da pele palmar

  • Formação de cordões fibrosos visíveis ou palpáveis

  • Dificuldade progressiva em esticar os dedos

  • Flexão permanente de um ou mais dedos em estágios avançados

Na maioria dos casos, não há dor significativa, mas pode existir desconforto ou sensação de rigidez.

Quem tem maior risco de desenvolver a doença?

A Doença de Dupuytren é mais frequente em determinados grupos, o que sugere forte influência genética.

Fatores de risco conhecidos incluem:

  • Histórico familiar

  • Sexo masculino

  • Idade acima de 40 anos

  • Origem europeia do norte

  • Diabetes mellitus

  • Consumo excessivo de álcool

  • Tabagismo

  • Epilepsia (associação observada em alguns estudos)

A doença pode afetar ambas as mãos, embora geralmente uma seja mais comprometida do que a outra.

Qual a causa da Doença de Dupuytren?

A causa exata ainda não é totalmente conhecida. O que se sabe é que há uma alteração no metabolismo do colagénio, levando à formação excessiva de fibras rígidas na fáscia palmar.

Essa alteração faz com que o tecido perca elasticidade e se contraia progressivamente.

Não se trata de uma doença inflamatória nem causada por esforço repetitivo, como muitas pessoas acreditam.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico é essencialmente clínico, baseado na observação e palpação da mão.

Um teste simples frequentemente utilizado é o chamado “teste da mesa”: quando a pessoa não consegue apoiar completamente a mão aberta sobre uma superfície plana, isso pode indicar comprometimento funcional.

Exames de imagem raramente são necessários, exceto em casos específicos.

Tratamento: é sempre necessário?

Nem todos os casos de Doença de Dupuytren exigem tratamento imediato.

Quando a doença está em fase inicial e não causa limitação funcional, a conduta pode ser apenas observação.

As opções de tratamento, quando indicadas, incluem:

  • Infiltrações enzimáticas para dissolução dos cordões fibrosos

  • Procedimentos minimamente invasivos

  • Cirurgia para libertação da fáscia comprometida

  • Fisioterapia e reabilitação pós-procedimento

O objetivo do tratamento não é a cura definitiva, pois a doença pode recidivar, mas sim melhorar a função da mão e a qualidade de vida.

Existe relação com outras doenças?

A Doença de Dupuytren pode estar associada a outras condições fibrosantes, como:

  • Doença de Ledderhose (fáscia plantar do pé)

  • Doença de Peyronie (tecido fibroso do pénis)

Essas associações reforçam a origem sistémica e genética da alteração do tecido conjuntivo.

Importância da observação precoce

Identificar a Doença de Dupuytren nos estágios iniciais permite um acompanhamento adequado e a escolha do momento certo para intervir, evitando deformidades mais severas.

A progressão varia muito de pessoa para pessoa. Em alguns casos, a doença estabiliza; em outros, avança de forma significativa.

Conclusão

A Doença de Dupuytren é uma condição progressiva que afeta o tecido conjuntivo da mão, podendo levar à limitação funcional importante ao longo do tempo.

Embora não seja uma doença grave no sentido vital, pode comprometer atividades simples do dia a dia se não for acompanhada.

A observação atenta dos primeiros sinais e a orientação profissional adequada são fundamentais para preservar a função da mão e a qualidade de vida.

Teste do Polegar e sua Relação com Aneurisma da Aorta


 

O chamado “teste do polegar” ou “sinal do polegar” é um teste físico simples que tem sido associado, em alguns estudos, a possível risco aumentado de aneurisma da aorta, especialmente aneurisma da aorta abdominal ou torácica.

O que é o teste do polegar?

O teste consiste no seguinte:

A pessoa estende a mão com a palma voltada para cima e tenta dobrar o polegar em direção ao lado oposto da mão, atravessando a palma.

O teste é considerado positivo quando o polegar ultrapassa claramente a borda da mão (ultrapassa o limite lateral da palma).

Esse achado sugere hipermobilidade articular.

Qual a relação com aneurisma?

O aneurisma é uma dilatação anormal de uma artéria causada por enfraquecimento da parede vascular. A aorta é a artéria mais frequentemente envolvida.

Algumas condições genéticas associadas a alterações do tecido conjuntivo — como a síndrome de Marfan, síndrome de Ehlers-Danlos e outras doenças do colagénio — podem causar:

  • Hipermobilidade articular

  • Maior elasticidade ligamentar

  • Fragilidade da parede dos vasos sanguíneos

  • Maior risco de aneurisma e dissecção da aorta

O teste do polegar faz parte de uma avaliação clínica de hipermobilidade e pode ser um indicador indireto de alterações do tecido conjuntivo.

O que dizem os estudos?

Algumas pesquisas recentes observaram que pacientes com aneurisma da aorta apresentavam com maior frequência um teste do polegar positivo comparado com a população geral.

A hipótese é que:

Se o tecido conjuntivo é mais elástico nas articulações, pode também ser mais frágil na parede arterial.

No entanto, é fundamental entender:

O teste do polegar isoladamente não diagnostica aneurisma.
Ele não substitui exames de imagem.
Ele não é um teste definitivo.

Ele pode apenas servir como um marcador clínico adicional que, quando associado a outros fatores de risco, justifica investigação.

Quem deve ficar mais atento?

O risco de aneurisma aumenta principalmente em pessoas com:

  • Histórico familiar de aneurisma

  • Hipertensão arterial

  • Tabagismo

  • Idade acima de 60 anos

  • Doenças do tecido conjuntivo

  • Colesterol elevado

  • Aterosclerose

Se uma pessoa tem teste do polegar positivo e histórico familiar de aneurisma ou sinais de doença do tecido conjuntivo, pode ser prudente conversar com um médico sobre avaliação por ecografia ou tomografia.

Importante: hipermobilidade é comum

Muitas pessoas têm hipermobilidade articular sem qualquer problema vascular.

Especialmente:

  • Mulheres

  • Jovens

  • Pessoas com prática de dança, yoga ou ginástica

Ter um polegar flexível não significa automaticamente risco de aneurisma.

É apenas um possível marcador quando inserido num contexto clínico mais amplo.

Conclusão

O teste do polegar pode indicar hipermobilidade e possível alteração do tecido conjuntivo. Em alguns casos, essa característica pode estar associada a maior risco de aneurisma da aorta, especialmente quando existem outros fatores de risco.

Ele não é diagnóstico, não substitui exames médicos e não deve gerar alarme isoladamente.

Como em muitos sinais corporais, o mais importante é a avaliação global do indivíduo, considerando histórico familiar, fatores cardiovasculares e estilo de vida.

Xantelasma - Riscos Cardiovasculares



 Xantelasma: um sinal na pele que pode indicar risco cardiovascular?

O xantelasma é uma alteração cutânea caracterizada pelo aparecimento de placas amareladas, planas ou ligeiramente elevadas, geralmente localizadas nas pálpebras, especialmente próximas ao canto interno dos olhos. Embora muitas pessoas o encarem apenas como uma questão estética, ele pode estar associado a alterações metabólicas importantes.

O que é o xantelasma?

O xantelasma é formado pelo depósito de colesterol e outros lípidos na pele. Ele pertence ao grupo dos xantomas, que são acúmulos de gordura no tecido subcutâneo. As lesões não costumam causar dor, inflamação ou comichão, mas tendem a crescer lentamente ao longo do tempo.

É mais comum em adultos de meia-idade, podendo surgir tanto em homens como em mulheres. Em alguns casos, está associado a níveis elevados de colesterol, mas pode também aparecer em pessoas com análises aparentemente normais.

Relação com colesterol elevado

Uma das principais associações do xantelasma é com dislipidemia, especialmente:

  • Colesterol LDL elevado

  • Triglicerídeos elevados

  • Alterações no metabolismo das gorduras

Estima-se que cerca de metade das pessoas com xantelasma apresente alterações no perfil lipídico. No entanto, mesmo quando os valores laboratoriais estão dentro dos limites considerados normais, pode existir um risco cardiovascular aumentado.

Isso ocorre porque o xantelasma pode refletir um distúrbio subclínico do metabolismo lipídico ou uma predisposição genética para aterosclerose.

Xantelasma e risco cardiovascular

Diversos estudos epidemiológicos demonstraram que o xantelasma pode estar associado a maior risco de:

  • Doença arterial coronária

  • Infarto do miocárdio

  • Aterosclerose

  • Acidente Vascular Cerebral (AVC)

A explicação possível está na aterosclerose, processo em que ocorre o acúmulo de placas de gordura nas artérias. Se o organismo está a depositar colesterol na pele, pode também estar a depositá-lo na parede dos vasos sanguíneos.

Mesmo em pessoas sem colesterol elevado nas análises, o xantelasma tem sido considerado um marcador clínico independente de risco cardiovascular.

Existe relação com aneurisma?

O aneurisma é uma dilatação anormal de uma artéria, frequentemente associada à fragilidade da parede vascular e a fatores como hipertensão, aterosclerose e inflamação crónica.

Embora o xantelasma não seja uma causa direta de aneurisma, ambos podem estar ligados ao mesmo processo subjacente: alterações na estrutura e saúde dos vasos sanguíneos.

A presença de dislipidemia, inflamação vascular e aterosclerose aumenta o risco não apenas de enfarte e AVC, mas também de aneurismas, especialmente da aorta.

Assim, o xantelasma pode funcionar como um sinal externo de que o sistema vascular merece avaliação cuidadosa.

Xantelasma é apenas um problema estético?

Não necessariamente.

Muitas pessoas procuram tratamento apenas por razões estéticas, recorrendo a:

  • Laser

  • Eletrocoagulação

  • Cirurgia

  • Crioterapia

No entanto, remover a lesão não elimina o possível risco cardiovascular subjacente. O mais importante é investigar a causa metabólica.

Quando o xantelasma é identificado, recomenda-se avaliação clínica com:

  • Perfil lipídico completo

  • Avaliação da glicemia

  • Medição da pressão arterial

  • Análise de fatores de risco familiares

  • Avaliação do estilo de vida

Abordagem preventiva

Independentemente dos valores laboratoriais, a presença de xantelasma deve ser encarada como um convite à prevenção.

Medidas importantes incluem:

  • Redução do consumo de gorduras saturadas e ultraprocessados

  • Aumento da ingestão de fibras

  • Controlo do peso corporal

  • Prática regular de atividade física

  • Gestão do stress

  • Cessação tabágica

A saúde cardiovascular é multifatorial e depende de um conjunto de hábitos consistentes ao longo do tempo.

Conclusão

O xantelasma pode parecer apenas uma pequena placa amarelada na pálpebra, mas em alguns casos pode representar um marcador externo de alterações metabólicas e risco cardiovascular aumentado.

Ele não significa automaticamente que exista doença grave, mas pode ser um sinal de alerta importante.

Observar o corpo com atenção e procurar avaliação adequada pode fazer a diferença entre tratar um sintoma estético ou prevenir um problema cardiovascular mais sério no futuro.

Sinal de Frank


 

Sinal de Frank na Orelha: O Que Este Pequeno Vinco Pode Revelar Sobre a Sua Saúde?

Você já reparou numa linha diagonal no lóbulo da orelha?

Parece apenas uma dobra da pele… mas pode ser muito mais do que isso.
Esse sinal é conhecido como Sinal de Frank — e tem despertado interesse na medicina há décadas por possível associação com doença cardiovascular.
Mas afinal… será mito ou alerta real?

O Que é o Sinal de Frank?
O Sinal de Frank é caracterizado por:
Uma linha diagonal que atravessa o lóbulo da orelha
Geralmente começa no canal auditivo e desce até a borda inferior
Pode aparecer em uma ou nas duas orelhas
Foi descrito pela primeira vez em 1973 pelo médico Dr. Sanders T. Frank, que observou que muitos pacientes com doença coronária apresentavam essa característica.

 Qual a Relação com o Coração?

Diversos estudos ao longo dos anos sugeriram uma possível associação entre o Sinal de Frank e:
  • Doença arterial coronária
  • Aterosclerose
  • Infarto do miocárdio
  • Problemas de circulação
A hipótese mais aceite é que o vinco pode refletir alterações na microcirculação e na elasticidade dos vasos sanguíneos — algo que também ocorre nas artérias do coração.

Importante:

O sinal não é um diagnóstico, mas pode ser um marcador clínico adicional.
Por Que Isso Acontece?
Algumas teorias sugerem que:
O lóbulo da orelha possui vasos terminais, sensíveis a alterações circulatórias.
O envelhecimento vascular pode refletir-se na pele.
Pode existir uma predisposição genética.
No entanto, o tema ainda é debatido na comunidade científica.

O Que Diz a Ciência?
Os estudos mostram resultados variados:

Alguns indicam forte correlação com doença coronária.
Outros afirmam que pode estar mais relacionado com envelhecimento.

O consenso atual:
O Sinal de Frank pode ser considerado um marcador de risco complementar, mas nunca isolado.

Quem Deve Ficar Atento?
Especial atenção se o vinco estiver associado a:
  • Histórico familiar de doença cardíaca
  • Colesterol elevado
  • Hipertensão
  • Diabetes
  • Tabagismo
  • Sedentarismo
Nesses casos, o ideal é procurar avaliação médica e realizar exames preventivos.

Olhar Integrativo: O Corpo Dá Sinais
Na visão integrativa, o corpo comunica-se através de sinais físicos.
A orelha, inclusive, é um importante microssistema utilizado na:
Auriculoterapia
Reflexologia auricular
Medicina Tradicional Chinesa
Embora o Sinal de Frank não seja um ponto energético, ele pode indicar desequilíbrios circulatórios que merecem atenção.

Atenção: Não Entre em Pânico!
Ter o Sinal de Frank não significa que você tem uma doença cardíaca.
Mas pode ser um convite para:
  •  Fazer check-up
  •  Avaliar colesterol
  •  Melhorar alimentação
  •  Reduzir inflamação
  •  Praticar atividade física
  • Cuidar da saúde emocional
Prevenção é sempre mais poderosa do que tratamento.

Conclusão
Um simples vinco na orelha pode ser apenas uma característica natural…
ou pode ser um alerta silencioso do seu sistema cardiovascular.
O importante não é o medo —
é a consciência.
O corpo fala.
Você está a ouvir?

Drª Sara Lima

Quistos nas Palmas das Mãos

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